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Londrina fica na lanterna do emprego no primeiro semestre

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http://www.folhadelondrina.com.br/

Fotos: Folha Arte e Saulo Ohara

No primeiro semestre deste ano, o setor que mais perdeu emprego na cidade foi o comércio (-709 postos de trabalho)

Em junho, o Paraná foi na contramão do cenário nacional e fechou 3.561 vagas de trabalho. Foram contratadas 85.906 pessoas e demitidas 89.467. Londrina também seguiu a tendência, admitindo 5.425 e desligando 5.531, um saldo negativo de 106 vagas. No Brasil, graças à agricultura, houve crescimento de vagas. Foram 1.181.930 admissões e 1.172.109 demissões, resultando num saldo positivo de 9.821 empregos. Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados nesta segunda-feira (17).

No acumulado do ano, tanto o País (67.358) como o Paraná (23.189) contrataram mais que demitiram. Londrina é a exceção, pois fechou 358 vagas. No primeiro semestre deste ano, o setor que mais perdeu emprego na cidade foi o comércio (-709 postos de trabalho). Depois veio a construção civil, com saldo negativo de 262 vagas. Até mesmo a agricultura teve desempenho ruim (-17 vagas). Serviços e a indústria da transformação ficaram com saldo positivo de 352 e 267 empregos, respectivamente.

Uma análise dos municípios que tiveram bom desempenho na geração de emprego nos primeiros seis meses do ano comprova o que o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) vem afirmando: o Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná está em processo de interiorização. Curitiba perdeu 1.986 vagas no período.

INDÚSTRIA 
Das principais cidades do interior, somente Londrina não tem se aproveitado desse fenômeno. E a indústria, principalmente a da alimentação, tem feito a diferença nessas cidades. Na campeã do emprego no primeiro semestre, Pato Branco (Sudoeste), a indústria foi responsável por 990 das 1.474 vagas geradas. Em Cascavel, por 824 de 1.416. Terceira no ranking, Maringá gerou 1.374, sendo que a indústria local teve menor participação neste saldo (400 empregos). Na região metropolitana de Londrina, destaque para Rolândia, cidade na qual o setor foi responsável por 456 postos de trabalho dentro dos 624 criados.

“Londrina padece do mal dos grandes centros que são muito dependentes do setor terciário (comércio e serviços). Já as demais cidades têm uma participação mais importante do agronegócio e agroindústria”, afirma o presidente do Ipardes, Júlio Suzuki. Segundo ele, as economias de Londrina e Curitiba só vão reaquecer quando houver retomada do consumo das famílias.

Para o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Fernando de Moraes, explicar por que a cidade não consegue gerar empregos é uma tarefa difícil. “Londrina está fora da curva. Imagino que o grande problema de Londrina é que há muito tempo não recebemos investimentos de fora.”

AGRICULTURA 
No Brasil, o resultado de junho foi puxado pela agropecuária, que gerou sozinha 36.827 postos formais em junho. Em seguida, teve desempenho positivo o setor de administração pública, com geração de 704 vagas. Por outro lado, tiveram saldo negativo comércio (-2.747 postos), construção civil (-8.963 vagas), indústria extrativa mineral (-183 postos), serviços industriais de utilidade pública (-657 postos), indústria de transformação (-7,887 postos), comércio (-2.747 postos) e serviços (-7.273 postos).

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, afirmou que, nos próximos dois anos, o Brasil tem capacidade de gerar 2 milhões de postos de trabalho com a reforma trabalhista. Segundo ele, com base em estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), este salto se daria em modalidades específicas previstas na reforma. “São o contrato por jornada parcial, o contrato de trabalho intermitente e o contrato por produtividade. Estes são os novos contratos que surgiram com a reforma”, afirmou. “Juntos, poderão gerar 2 milhões de empregos em dois anos.”

Segundo ele, existem hoje no País 38,6 milhões de empregos formais. Daqui a 2 anos, o montante chegará aos 40 milhões. “E quem dizia que o trabalhador ia perder direito (com a reforma) vai ter que se explicar daqui para frente”, afirmou. “A segurança jurídica é fundamental. Logo o mercado dará sinais de confiança.”

No semestre, resultado do Caged é o melhor desde 2014, diz Nogueira 
O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, chamou atenção nesta segunda-feira, 17, para o fato de a geração líquida de vagas formais de emprego no primeiro semestre de 2016, de 67.358 postos, representar o melhor resultado desde o primeiro semestre de 2014. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados nesta segunda pelo Ministério.

“Tivemos em junho o quarto mês de geração de empregos em 2017. Queríamos estar comemorando números melhores, mas o Brasil possui suas especificidades”, comentou o ministro durante coletiva de imprensa. “Podemos destacar o setor agropecuário, que foi importante em junho, e alguns subsetores da indústria de transformação.”

De acordo com o Caged, a agropecuária gerou, sozinha, 36.827 vagas com carteira assinada em junho. Na prática, foi o setor que garantiu o resultado positivo do mês passado, de 9.821 vagas. Por outro lado, setores importantes da economia, como a indústria de transformação (-7.887 vagas) e construção civil (-8 963 vagas) apresentaram fechamento de postos de trabalho no mês passado.

“Os setores que ficaram negativos no Caged foram influenciados por fatores regionais. A indústria foi mais negativa no Sul e no Sudeste”, exemplificou Nogueira. “Mas não há anomalia geral em setores que apresentaram números negativos”, disse.

Queda no Sul 
O ministro reconheceu que existe uma queda de emprego na indústria em setores mais dinâmicos, como os do Sudeste e do Sul, mas lembrou que em outras regiões não houve baixas no setor. “Quedas na indústria e serviços estão mais concentradas no Sul e Sudeste. Mas Norte e Nordeste têm dados positivos”, pontuou. Para o ministro, a economia dá sinais de recuperação, sendo que esta retomada “se estabelece de forma segura”.

O coordenador geral de Estatísticas do Ministério do Trabalho, Mario Magalhães, disse que “2014 foi o último ano que tivemos resultados positivos. 2015 e 2016 são anos específicos da crise”. Ele lembrou que 2014 foi um momento de crescimento econômico acelerado, enquanto 2017 é um ano de retomada.

Magalhães lembrou ainda que a agropecuária tem dois movimentos distintos no Brasil. No primeiro semestre, há geração de vagas, com picos em abril e maio e reflexos em junho e julho – o que foi verificado nos números de hoje do Caged. No segundo semestre, o ímpeto diminui. Ainda assim, o ciclo agrícola do Nordeste, baseado na cana-de-açúcar e na produção de frutas, contribui para amenizar o movimento no setor. Na prática, a expectativa é de geração de vagas no setor no segundo semestre, mas com números mais contidos. (Fabrício de Castro/Agência Estado)

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